Por Danilo Pelloso

ANTIGAMENTE, ATUALMENTE COLARINHO
30 de janeiro de 2012


Tecido algodão para o mesmo pensamento medieval. Contraste.
Antigamente a diversão era a batalha do humano com leões no Coliseus. Hoje o futebol. Houve evolução, apesar do meu time nunca vencer.
Antigamente a classe governante (6%), dominava 96% da riqueza indisponíveis para uso fruto humano. Hoje os ricos são 8% com 94% do montante. Em 2000 anos distribuiu-se 2% da renda. Que progresso na divisão.
Antigamente acreditavasse no Deus trovão, Deus sol, Deus mar e nos demônios, esses utilizados para suavizar a culpa humana. Nem direito autoral das malvadezas atribuídas ao diabo à gente pagou ou paga a essa figura recreativa. Aos peraltas o exorcismo. Hoje psiquiatria. Gloria a Deus.
Antigamente o povo era supersticioso. Hoje somos crendeiros profissionais. Acreditamos em tudo, para nada fazer. Bonecos de engonços.
Antigamente os pais casavam seus filhos para o bem estar financeiro. Hoje não há intervenção dos pais. Os filhos já aprenderam essa faceta.
Antigamente os pais rudes eram com os filhos. Obediência incondicional. Hoje filhos são senhores de engenho de pais escravizados.
Antigamente conquistavam-se mulheres com flores e belos sonetos de decassílabos. Hoje a atração é com carros e frases do tipo: vamos tomar uma gatinha? Nesta frase recordo-me Camões, em Os Lusíadas. Semelhante não? Camões deve estar contente com a comparação. Não é?
Antigamente as pessoas vestiam roupas em ouro. Hoje apenas os escolhidos com suas lorotas a embaraçar a massa. Charme ancião. Amém.
Antigamente as pessoas duelavam com armaduras e espadas. Hoje a batalha é com documentos, assinaturas e um papear “esperto”.
Antigamente havia faraós, imperadores. Hoje os mesmos encontram-se não me lembro em que edital, depende do resultado do concurso.
Antigamente, atualmente. Tão semelhantes nada distantes. Variação apenas na vestimenta. As mesmas bobagens a nos contemplar. Mundo civilizado? Diria dissimulado na simpatia do terno e do colarinho ocupado.
(Crônica publicada dia 28 de janeiro de 2012, no jornal Gazeta Regional de Lucélia)

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