Desvios na Câmara de Catanduva: operação Rei do Pix apreende documentos e equipamentos digitais, em Adamantina
Nossa Lucélia - 02.06.2026


Segundo o GAECO, esquema de empresas de fachada desviou milhões da Câmara de Catanduva. Mandados foram cumpridos em endereços de Adamantina

Adamantina (SP) - O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) deflagrou nesta terça-feira (2) a Operação Rei do Pix, com o objetivo de desarticular um esquema de desvio de recursos públicos da Câmara Municipal de Catanduva.

Foram cumpridos dez mandados de prisão e mais de 50 de busca e apreensão em diversas cidades paulistas, incluindo Adamantina, Bauru, Jaboticabal, São Paulo e Catanduva.

Ações policiais

  • Em Adamantina, a operação ocorreu em dois endereços, com apreensão de materiais relevantes para a investigação.

  • O trabalho foi conduzido pelo 8º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (BAEP), com apoio de cinco viaturas e do Helicóptero Águia.

  • Foram recolhidos documentos, notebooks, celulares, HDs externos e pen drives, todos encaminhados para análise pericial.

  • Uma arma de fogo também foi localizada; apesar de registrada, estava com documentação vencida e foi apreendida.
  • O esquema investigado - Segundo o Ministério Público, entre 2023 e 2024, ao menos R$ 10 milhões teriam sido desviados do orçamento da Câmara Municipal de Catanduva. O valor pode ser ainda maior.

  • Mais de 60 empresas de fachada foram criadas em nome de amigos e familiares dos envolvidos.

  • Essas empresas simulavam serviços, emitiam notas fiscais falsas e devolviam até 95% dos valores pagos ao grupo.

  • Também foram identificadas fraudes em licitações e contratos superfaturados, com repasses de até 30% dos valores pagos pelo Legislativo.

  • Além do desvio, houve movimentações financeiras para ocultar a origem ilícita, configurando lavagem de dinheiro.
  • Pagamentos suspeitos - Consulta ao Portal da Transparência revelou que duas empresas de Adamantina receberam juntas R$ 927.436,33 entre 2023 e 2024, em contratos de limpeza e conservação para a Câmara de Catanduva.

    Justiça bloqueia até R$ 20 milhões em bens - Segundo o Ministério Público, com o objetivo de garantir eventual ressarcimento aos cofres públicos, a 1ª Vara Criminal de Catanduva determinou a indisponibilidade de bens dos investigados em valores proporcionais ao grau de envolvimento atribuído a cada um. Nos casos considerados mais graves, os bloqueios judiciais alcançaram até R$ 20 milhões. A operação também resultou na apreensão de dinheiro em espécie e veículos.

    A Operação Rei do Pix mobilizou 20 promotores de Justiça, 30 servidores do Ministério Público, 11 agentes da Receita Federal, mais de 200 policiais militares e três equipes da Polícia Civil, que auxiliaram no cumprimento de mandados na capital paulista.

    Impacto e próximos passos - O material apreendido será analisado pelo GAECO e poderá servir como prova para aprofundar o inquérito. A operação expõe a complexidade do esquema, que envolvia empresas fictícias, fraudes em licitações e lavagem de capitais, reforçando a necessidade de maior fiscalização sobre contratos públicos.

    Fonte: Siga Mais



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